A mulher que leu
Ela estava triste.
De uma tristeza ácida, rastejante, de aspecto moribundo.
Acordou cedo e começou a fazer tanta coisa sem sentido, sem lógica, sem prazer. Cansou-se.
Alguém telefonou.
Era possível?
Mas só parecia alegria. Não era.
De que adiantava a doçura da voz que se transformava em passado?
Alguém escreveu.
Quanto sentido tudo aquilo fazia.
Mas, outra vez, era disfarce da tristeza.
De que adiantava querer sorrir da mesma forma que se chora?
Alguém mandou fotografias.
Como era querida sua imagem...
Mas pra quê, afinal querer vê-la?
O mundo inteiro poderia por-se ao seu lado, ao seu ombro, à sua frente e somar-se à imagem da cena, compartilhando o sorriso, a satisfação de estar com ele, todos poderiam ir até lá. Todos, menos ela.
Por isso achou tão triste a vida, tão errada, tão louca.
Por isso tantos vão embora dela, de peito aberto.
Ninguém quer conhecer alguém a quem vá amar mais do que possa.
Todos sonham em conhecer alguém a quem possam amar sem limites.
E, se todo humano esquece, porque é humano, então não esqueço pq já devo ser outra coisa.
Devo ter me transformado no sentimento que li na aura de seu texto.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
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